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17/05/2018 - Fonte: AECweb

Esquadrias de aço e alumínio aguardam certificação do Inmetro

Em pouco mais de dois anos, foram registrados oito mortes e 19 casos de lesão corporal grave em decorrência de acidentes provocados por esquadrias. Esse foi o principal argumento que levou a Abraesp (Associação Brasileira das Indústrias de Portas e Janelas Padronizadas) e a Abie (Associação Brasileira de Indústrias de Esquadrias) a solicitar ao Inmetro a certificação dos produtos fabricados e comercializados no país.

Em entrevista ao Portal AECweb, André Luis de Freitas, presidente-executivo da Abraesp, conta que, no próximo mês, o Inmetro apresentará um diagnóstico e possíveis ações regulatórias a serem desenvolvidas. Ele comenta também as razões do surgimento, nos últimos três anos, de novas associações que representam a indústria de portas e janelas de alumínio.

AECweb – A Abraesp é uma entidade recente. Ela sucedeu a Afeaço (Associação Nacional dos fabricantes de Esquadrias de Aço) ou não há qualquer vínculo?
André Freitas – De fato, a Abraesp sucedeu a Afeaço. Ao final de 2016, a diretoria da Afeaço atendeu ao anseio dos fabricantes associados e ampliou o objetivo da entidade, passando a contemplar e representar outras matérias-primas utilizadas na fabricação de esquadrias, como alumínio e PVC. A decisão foi tomada com base na observação de que 80% dos fabricantes de esquadrias de aço também fabricam esquadrias de alumínio, e alguns deles já estão estudando o desenvolvimento de produtos de PVC.

AECweb – O setor de esquadrias metálicas (alumínio e aço) tem, hoje, quatro associações representativas: Abie, Afeaço, Afeal e Abraesp. Não há sobreposição?
Freitas ­– Na realidade, o número é um pouco maior, visto que existem outras associações regionais. Não acredito que sobreposição seja a palavra para descrever essa realidade. O que visualizo, nesse caso, é a necessidade dos fabricantes de esquadrias de se sentir representado pela entidade. Há algum tempo, o empresário tomou consciência de que é possível provocar mudanças positivas dentro do segmento, através de um direcionamento que ele ajudou a elaborar e aprovar, figurando como parte ativa. A existência de um número maior de associações passa o recado de que empresários, não se sentindo representados, rompem com o modelo vigente e buscam uma efetiva representação.

AECweb – A Abraesp mantém um Programa Setorial da Qualidade (PSQ) próprio?
Freitas – Sim, a Abraesp é a responsável pelo PSQ de esquadrias de aço há seis anos. Durante esse período, o programa provocou profunda mudança no mercado de portas e janelas de aço, alterando de forma significativa a qualidade dos produtos oferecidos no mercado. Chegamos a ostentar o índice de 83% de conformidade em 36 tipologias elencadas como produtos-alvo. O principal motivo desse resultado foi a conscientização do fabricante sobre a obrigatoriedade de atender à norma técnica, além, é claro, de preservar a integridade física do consumidor, assim como o entendimento do lojista/construtor sobre essa obrigatoriedade.

AECweb – Quais são os motivos para o pedido de uma certificação para esquadrias?

Freitas – Partindo de um número significativo de relatos que chegaram às associações, foi realizado um levantamento dos anos 2015, 2016 e 2017 que constatou a triste realidade de oito mortes e 19 casos de graves lesões corporais ocasionados por esquadrias. Também foram registrados mais de 370 casos de danos ao patrimônio envolvendo esquadrias. As entidades presentes na reunião responderam positivamente às perguntas do Inmetro: “As esquadrias apresentam problemas que afetam a saúde e a segurança?” e “O Inmetro deverá agir para solucionar esses problemas?”. Na próxima reunião, em maio, envolvendo os mesmos atores, serão apresentados um diagnóstico e possíveis ações regulatórias a serem desenvolvidas pelo órgão.

AECweb – Como está evoluindo o processo para obtenção da certificação do Inmetro para esquadrias de aço e alumínio?
Freitas – O processo de certificação de esquadrias iniciou-se em julho de 2017 após pedido das entidades Abraesp e Abie ao Inmetro que, de forma muito assertiva, objetiva e rápida, deu andamento à demanda. Em 6 de março passado, foi realizada a primeira reunião com 31 entidades do setor da construção civil para apresentar os motivos do pedido.

AECweb – Quais as vantagens dessa certificação comparadas à qualificação do PBQP-H?
Freitas – Cada programa tem sua particularidade, que deve ser levada em conta na hora de se decidir qual caminho percorrer. O que é certo é que a certificação ajudaria, de forma muito positiva, o combate a não conformidade e daria ainda mais segurança ao consumidor, que teria certeza de estar adquirindo uma esquadria que atende à norma técnica. O Inmetro tem reconhecimento nacional e é visto como sinônimo de qualidade pelo excelente trabalho realizado ao longo de vários anos. Com certeza, a certificação norteará o consumidor na hora de escolher portas e janelas.

AECweb – A conquista da certificação do Inmetro poderá enfraquecer os PSQs de esquadrias já existentes?
Freitas – Não vejo a conquista da certificação como uma causa direta do enfraquecimento de PSQs. Pelo contrário, acredito que a vinda da certificação poderá provocar mudanças benéficas a todos os envolvidos no processo de qualificação de produtos: fabricantes, laboratórios e usuários/consumidores de portas e janelas. Nosso objetivo sempre foi o caminhar conjunto de todos os programas que visam a proporcionar a correta fabricação de portas e janelas e seu uso seguro pelos consumidores.

AECweb – Como foi o desempenho comercial do mercado de esquadrias de aço e de alumínio no último ano?
Freitas – Como todo setor da construção civil, as esquadrias, em geral, sentiram os efeitos da crise econômica que ainda sobrevoa a sociedade brasileira. A desconfiança da população na condução da política econômica inibiu de forma significativa as decisões por reformas de imóveis ou novos empreendimentos habitacionais ao longo de 2017. A boa notícia é que esse cenário deu sinais positivos de melhora nos últimos meses do ano passado e esses sinais foram mantidos nos primeiros meses de 2018. Estamos otimistas, como todo o segmento de esquadrias, de que essa situação irá avançar e de que poderemos dizer que o Brasil encontra-se em pleno processo de recuperação apontando para um crescimento contínuo.

AECweb – O Brasil, e a construção civil, já superaram a crise econômica?
Freitas – A crise ainda não foi totalmente debelada a ponto de afirmarmos que nos encontramos em uma rota segura de crescimento contínuo. Porém, estamos muito perto disso e nos anima, mês a mês, a constatação que a confiança do brasileiro está retornando e os planos estão sendo retirados da gaveta para serem colocados em prática.

AECweb – Quais as expectativas da Abraesp para o setor em 2018?
Freitas – A Abraesp representa, hoje, fabricantes de esquadrias de aço e alumínio. Nossas expectativas para esses segmentos sãos superiores às dos dois últimos anos, graças à mudança de comportamento do consumidor, que voltou às compras, e à retomada da capacidade de investimento dos fabricantes de esquadrias, alavancada pela mudança de cenário.




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